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Ágnatos ou Ciclóstomos

Os Ágnatos (a = sem; gnathos = maxila) são vertebrados primitivos sem mandíbula, de corpo cilíndrico alongado e esqueleto cartilaginoso. Seus principais representantes são os peixes-bruxa, ou feiticeiras (classe Myxine), e as lampreias (classe Petromyzontida). Esses animais têm a pele lisa, sem escamas, e não apresentam nadadeiras pares, como ocorre nos peixes com mandíbula; há apenas uma ou duas nadadeiras no dorso e uma na cauda. Sua boca é circular, daí serem chamados também de ciclostomados ou ciclóstomos (do grego kúklo, circular, e stomatos, boca). Suas brânquias abrem-se em orifícios laterais, na região anterior do corpo.

·        Classe Myxine

As feiticeiras/peixes-bruxa são animais marinhos de corpo alongado e coloração rosa-acizentada, que podem atingir ate 1 m de comprimento. Secretam uma espessa camada de muco protetor sobre a pele e vivem enrolados, semi-enterrados, na lama do fundo dos mares. Graças à sua flexibilidade e ao muco extremamente escorregadio que recobre seu corpo, as feiticeiras são capazes de dar rápidos “nós” em si mesmos, o que lhes permite escapar dos inimigos. Há cerca de 64 espécies descritas; a maioria foi descoberta recentemente, a centenas de metros de profundidade nos mares.
Possuem uma série de tentáculos curtos em torno da boca, com função sensorial. Não há mandíbula, e a boca é guarnecida por duas estruturas horizontais cartilaginosas, móveis, com dentículos, que podem se projetar para capturar o alimento. Este consiste principalmente de anelídeos poliquetos ou peixes, vivos ou mortos.
No Japão e na Coréia, onde são conhecidos como “enguias-de-couro”, eles são utilizados em culinária. Sua pele é utilizada para fazer objetos como bolsas, sapatos etc., o que tem levado esses animais à ameaça extinção.

As feiticeiras têm crânio cartilaginoso, sendo por isso incluídos no subfilo Craniata (Vertebrata). Entretanto, eles não têm vértebras, e a sustentação do corpo está a cargo da notocorda, que perdura na fase adulta. Apresentam um orifício de cada lado da cabeça, que se abre para as fendas branquiais da faringe, responsáveis pelas trocas respiratórias.
Recentemente, os peixes-bruxa vêm despertando o interesse dos estudiosos das relações de parentesco evolutivo nos cordados, tendo por isso se tornado mais conhecidos. Descobriu-se, também, que no muco secretado por esses animais há uma proteína semelhante à das teias de aranhas, capaz de formar fibras de extrema resistência. Uma das possíveis utilizações dessa proteína, segundo as pesquisas, seria sua aplicação sobre ferimentos para deter hemorragias.
Esses animais apresentam tanto sistema reprodutor masculino quanto feminino, ou seja, são monóicos; no entanto, geralmente apenas um dos sexos é funcional em cada indivíduo. As fêmeas produzem poucos ovos, de grande tamanho, e o desenvolvimento é direto, sem estágios larvais.                                

·        Classe Petromyzontida (lampreias)

As lampreias são animais de corpo alongado, que o podem atingir mais de 1 m de comprimento. Elas têm boca circular, sem mandíbula, e pele lisa de cor acinzentada, com manchas e reflexos metálicos. A maioria das espécies vive no mar, entretanto em estuários e subindo rios para se reproduzir. Um canal aberto em 1819, ligando o rio Hudson ao lago Ontário, permitiu que lampreias marinhas invadissem os Grandes Lagos, localizados entre os Estados Unidos e o Canadá, tornando-se ma praga e causando prejuízos à pesca comercial.
As lampreias adultas são ectoparasitas agressivos de peixes. Sua boca com forma de ventosa é dotada de uma língua com dezenas de dentículos de queratina, utilizados para raspar a pele do hospedeiro até perfurá-la. Sua glândula salivar produz uma substância anticoagulante, impedindo que o ferimento do hospedeiro se feche e permitindo ao parasita sugar sangue e tecidos corporais.
As larvas das lampreias são muito diferentes dos adultos, sendo conhecidas como amocetes. Não possuem olhos nem dentes e vivem semi-enterradas no lodo do fundo de lagos e rios, alimentando-se de partículas que filtram da água. O estagio larval dura cerca de 4 a 5 anos, durante a metamorfose surgem os olhos e a boca em forma de ventosa, com a língua dotada de dentículos.


A notocorda que surge durante o desenvolvimento embrionário perdura por toda a vida das lampreias. O crânio é formado por placas cartilaginosas e tecidos fibrosos.
As lampreias adultas apresentam olhos grandes e sete orifícios branquiais de cada lado do corpo, logo atrás da cabeça. Esses orifícios abrem-se em câmaras branquiais reforçadas por estruturas cartilaginosas, que se comunicam com as fendas branquiais da faringe. O tecido dos arcos branquiais é vascularizado, formando as brânquias, por onde ocorrem as trocas respiratórias.
Ao atingir a maturidade sexual, as lampreias entram nos estuários dos rios e deixam de se alimentar. O macho constrói um ninho de pedras, onde a fêmea coloca cerca de 200 mil óvulos. Em seguida ele deposita espermas sobre eles, e a fecundação ocorre externamente. Logo depois, macho e fêmea morrem.










Feiticeiras
Lampreias
Hábitat
Todas marinhas
Marinhas ou de água doce
Nutrição
Animais de vida livre, carnívoros. Boca com pequenos dentes, rodeadas de tentáculos. Arrancam pedaços de suas presas, geralmente peixes mortos ou doentes.
Ectoparasitas de baleias e peixes. Boca e língua com dentes córneos; os da boca usados para fixação e os da língua para dilacerar a pele do hospedeiro.
Reprodução
Algumas espécies são hermafroditas, fecundação pouco conhecida, desenvolvimento direto (sem larva e sem metamorfose).
Sexos separados, com fecundação externa. Desenvolvimento indireto, com larva e metamorfose.
Outras características
Não possuem vértebras. Os olhos são atrofiados e recobertos por pele. Não possuem linha lateral.
Possuem vértebras incompletamente formadas. Possuem olhos bem desenvolvidos e linha lateral.

Na tabela abaixo, estão algumas características que permitem diferenciar essas duas classes de ciclostomados: a das feiticeiras e a das lampreias.